A Jornada – Versão Beta

Campus Party

A origem

Meu nome é Emmanuelle Richard, tenho 14 anos, estudo no 3º ano do Ensino médio e sou de Natal/RN.

A programação sempre esteve presente na minha vida.  Meu pai é programador e sempre  incentivava a mim e minhas irmãs a programarem (somos três irmãs: Isabelle, Emmanuelle e Richelle).

Ele sempre nos levava a eventos da área e era incrível ver o que os participantes faziam.  Eu sempre gostei de ir, principalmente pelo coffee break. Se você ainda não experimentou os lanches que eles servem, você não sabe o que está perdendo. Era incrível ver o que aquelas pessoas faziam.  O poder, o conhecimento que elas detinham e como elas adoravam compartilhá-los.

Esse foi um dos motivos que fez com que eu me apaixonasse pela programação.  Nesta área, não existe gente mesquinha em relação ao saber.  Os programadores gostam de ajudar uns aos outros.  Principalmente porque sabem que o conhecimento nessa área é muito dinâmico e torna-se obsoleto muito rápido.

Pesadelo

Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos meu pai me colocou junto com a minha irmã Isabelle em um curso de programação e web design.  Foi traumatizante; só tinha adultos lá e todos eram homens.  É raro encontrar mulheres programadoras; mais ainda, crianças que programam.

A única mulher lá era a recepcionista.

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Era um pouco difícil ir para as aulas pois eu achava muito complicado tudo.  Lá era código bruto mesmo, php , Java e outras linguagens.  Os professores ensinavam coisas que eu nem entendia direito e além de ser nada didático nem divertido, eu não entendia a necessidade de fazer as coisas que ele pedia.

  • “Vamos fazer uma calculadora que consiga resolver uma equação de segundo grau!”
  • Tá, legal, mas pra que eu vou usar isso?

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Eles me mandavam e me ensinavam a fazer coisas um pouco sem lógica para uma criança.

Acredito que, também, sem sentido para um adulto.

Redenção

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No segundo semestre de 2014, eu, meu pai e minha irmã mais velha, fomos à Campus Party Recife.  Foi nossa primeira Campus Party.  Fomos de carro em uma viagem de cerca de 5 horas.  Como não tínhamos experiência com este evento, não ficamos nas barracas.

Meu pai arranjou um apartamento emprestado de um amigo e, lá prá meia noite íamos para o apartamento dormir.  No dia seguinte chegavamos lá pelas 9:00h.  Ficávamos sempre com a sensação de que saiamos deixando de participar de muita coisa legal e que quando chegavamos tinhamos perdido, também, muita coisa legal.  A Campus não para.  Depois das palestas, que encerram-se lá prás 23:00h tem muita coisa que acontece.  Muitas atividades.  Jogos, competições, filmes…

Na volta para casa decidimos que iriamos à de São Paulo.  Mas desta vez, ficaríamos acampados para aproveitar ao máximo tudo.

No começo de 2015, meu pai, eu e minha irmã mais velha fomos para a Campus Party Brasil, que ocorre em São Paulo.  Desta vez ficamos acampados.

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Mas ninguém quer ficar nas barracas.  Simplesmente a gente não quer dormir para aproveitar tudo!

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Minha irmã Richelle não queria de jeito nenhum ir dormir…

Conheci muita gente bacana.  Como o Miguel Nicolelis, responsável pelo projeto “Andar de Novo”, que permitiu a um paraplégico andar e chutar uma bola na abertura da copa de 2014 ( http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/06/jovem-paraplegico-usa-exoesqueleto-chuta-bola-na-abertura-da-copa.html ).  Simplesmente considerado um dos vinte maiores cientistas do mundo pela revista “Scientific American”!

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Programaê

Foi na Campus onde conheci o Programaê.  Lembro de dois homenzinhos, que depois virei amiga de um deles , o Leo.  Eles estavam com um carrinho de picolé e eu, que não sou besta, pedi um para eles. Mas eles me disseram que eu precisaria jogar um game para ganhar um ticket e retirar o picolé. Fui super empolgada fazer o que eles tinham me dito e o que eu tinha que fazer no game era fazer o Angry Bird pegar um porquinho.  Foi muito fácil e legal.

Quando eu terminei a moça me disse que eu tinha programado.  Eu fiquei tipo: “como assim? moça tu tá bem?” Eu não acreditei que aquele jogo era para ensinar programação.   Como os meus professores não usaram ele comigo?  Consegui meu picolé e mesmo depois de voltar para minha cidade continuei acessando o programaê algumas vezes para me divertir um pouco.

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A programação é vista por muitos como um bicho de sete cabeças. Criar um software ou aplicativo sem estudo formal em uma faculdade especializada parece ser uma tarefa impossível. Queremos provar que não é bem assim e que, na verdade, qualquer um pode aprender a programar: basta falar a língua dos computadores.

O Programaê! foi criado justamente para isso: mostrar ao mundo que a programação é para todos, mobilizando cada vez mais pessoas em torno dessa causa. Para isso, ele reúne as melhores e mais simples ferramentas para aprender e ensinar a programar. Todas elas são gratuitas, em português e não exigem nenhum conhecimento prévio em programação.

O Programaê! é uma iniciativa da Fundação Lemann e da Fundação Telefônica Vivo criado graças a um interesse em comum: nós acreditamos que a tecnologia tem um poder transformador incrível e usá-la para a educação pode fazer a diferença para muita gente.

PROGRAMAÊ

Nosso objetivo é aproximar a programação do cotidiano de jovens de todo o Brasil. Pra fazer isso, desenvolvemos um portal prático e agregador de ideias, soluções e dicas de pessoas experientes e inspiradoras. Dá só uma olhada no nosso manifesto e faça parte deste movimento que quer transformar o mundo e ajudá-lo a criar um todinho seu!

Manifesto:

  • Imagine criar o que você sonha.
  • Transformar o que você não concorda.
  • Reinventar o mundo e a você mesmo.
  • Se comunicar em código.
  • Em palavras.
  • Em ideias.

Imagine usar suas ideias como combustível para crescer.

Eu invento meu mundo por códigos.

A minha arte vive entre parênteses e colchetes.

Eu acredito na programação porque eu crio minhas próprias portas, desenho o caminho que vou seguir.

Foi programando que eu aprendi que o meu mundo, crio eu.

E você também pode criar o seu!

Acesse o nosso site: http://www.programae.org.br

Campus Party Recife 2015

Na campus Party Recife 2015 eu tive a felicidade de reencontrar o programaê e ainda conhecer as pessoas que faziam esse projeto maravilhoso.

Eu estava passeando pela campus quando avistei a mesa do programaê. Eu fiquei tipo “OMG eles estão aqui!!!!” mas eu tentei parecer o mais normal possível.

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Cheguei sorrateiramente perto deles e perguntei quem era o responsável pelo projeto. Não me lembro muito bem quem veio falar comigo, mas essa pessoa perguntou como eu tinha conhecido o projeto e o que eu achava.  Contei para eles da minha experiência com o Programaê e começamos a conversar sobre o projeto.  Eu cada vez mais me envolvia nele e me impressionava com o quanto ele impactava as pessoas. Fiquei sabendo deles que iria ter um workshop como o professor Isidro e eu logo decidi participar.

O workshop era na parte Open da campus – a que fica aberta para todos.  As pessoas que estavam participando eram crianças de escolas da rede pública e, ao que me parecia, nunca tinham tido acesso a programação. Elas estavam fascinadas.

No meu lado sentou um menino que estava com um pouco de dificuldade.  Eu vi que poderia ajudá-lo e assim fiz.  E foi sensacional ajudar alguém a fazer algo que eu já sabia.  Senti-me como aqueles caras que eu sempre via nos eventos que ia com o meu pai e que sempre achava incrível o quanto eles adoravam compartilhar conhecimentos.

Pouco tempo depois o Professor Isidro me apresentou para as crianças.  Eu me senti estranha – Emmanuelle a diferentona com um estilo que nem sei dizer do que se trata, que anda pelos eventos com orelhas de gatinho ou com uma touca de cachorro.  Elas me olharam tentando decifrar o ser que eu sou.  Mas logo perceberam que sou uma pessoal legal :) Acho que ao me verem lá perceberam que eu era como eles;  que não era nenhum super gênio ou algo do tipo; que também tira nota baixas.

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O Professor Isidro e o Richard (não é o meu pai.  É outra pessoa, rs rs) fizeram uma dinâmica muito engraçada. Eles simularam o jogo do Angry birds da hora do código; O Richard era o passarinho e a gente tinha que dar os comandos para ele.  Foi muito engraçado.

Eles viram que programar era algo possível e fácil.

Apresentação na Campus Party

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Mais tarde fui assistir a palestra do Programaê no palco principal.  Eu estava lá sentada como todas as outras pessoas, quando um moço me convidou para subir ao palco para dar um depoimento sobre a minha experiência como programadora!  (Sou brinquedo não….).  Fui pega de surpresa e, por um instante fiquei sem acreditar naquilo.  Fiquei tipo O.O.  Mas sabia que poderia inspirar outras crianças e, até mesmo, adultos, a embarcarem nesse mundo maravilhoso da programação.  Sabia que tinha uma missão a cumprir.

O título da palestra foi:  “O uso da programação para empreender por Programaê”.  Veja no link da Campus Party: http://campuse.ro/events/campus-party-recife-2015/talk/programacao-empreender-programae/ e o vídeo no YouTube:

Olha só quem estava no palco:

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  • Alison Paese (Mediador).  Fundador e diretor do canal Foras de Série. Foi sócio-executivo da XP Investimentos, trabalhando diretamente com o desenvolvimento da rede de empreendedores. Além disso, foi responsável pela área de inovação e novos negócios do portal InfoMoney, sendo co-fundador do StartSe. Apaixonado por empreendedorismo, cinema e cultura geek, tem como principal papel na vida conectar pessoas e projetos

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  • André Braga.  É fundador da plataforma de venda de ingressos eventick.com.br, empresário da web e produtor de eventos com experiência no mercado publicitário.

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  • Lucas Machado.  Coordenador de Projetos na área de produtos de inovação para a educação na Fundação Lemann, incluindo plataformas como o Programaê!, Khan Academy, Coursera e Youtube Edu. Engenheiro de Computação formado pela Universidade Federal de Itajubá e pós-graduando em Inteligência de Mercado pela Saint Paul Escola de Negócios, trabalhou com desenvolvimento de softwares para bancos islâmicos, durante o ano em que morou na Malásia, e foi trainee no mercado financeiro.

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  • Eiran Simis. Criador do eventplatz.com (plataforma de busca e oferta de espaços para eventos), é gerente da área de Empreendedorismo do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, consultor do Porto Digital e do SEBRAE, curador da Campus Party e professor de pós graduação do CESAR.EDU, UPE e da Uninassau. Já foi membro do conselho de administração da SiliconReef S/A.

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  • Vinicius Gracia.  Atual CTO & Founder da Easy Taxi. Ele é responsável por toda arquitetura, sistemas e apps de 32 países e tem como missão que o mesmo aplicativo, usado ao redor do globo funcione e se adapte as necessidades diferentes de cada região. Está na Easy Taxi desde a concepção da ideia e realizou o projeto e desenvolvimento de todos os sistemas necessários para a operação. Vinícius sempre teve espirito empreendedor, participou do desenvolvimento um sistema de helpdesk para IBM, todo baseado em web, antes da internet existir no Brasil, era necessário conectar com a IBM, atráves de internet discada, ligando para os EUA. Desenvolveu sistemas de helpdesk para Acer, Packard Bell, o Compaq Phone, Vários provedores de internet como Mandic, Domain, Openlink. É sócio de mais duas empresas de tecnologia, JGracia informática que faz todo sistema de delivery e gerencia de franquias do Giraffas e da Techsamurai que foi onde surgiu a Easy Taxi. Formado em ciência da computação nos Estados Unidos e Engenharia da Computação no Brasil. Vinicius já viajou o mundo mergulhando em diversos locais, como Egito, Cuba, México, Costa Rica, Israel, Grécia, inclusive é sócio e fundador de uma escola de mergulho no Rio de Janeiro, chamada Dive Point.

Só Gente TOP!!!!

Eu achava que tinha poucas pessoas lá mas pelo contrário, tinha até gente em pé. A perspectiva de baixo é muito diferente da de lá de cima do palco.  Com uma multidão de pessoas lhe olhando.  Eu não tinha me preparado para falar em público, mas deixei “rolar” e contei da minha experiência com a programação e de como o Programaê foi importante para que eu decidisse o que quero fazer na vida.

Eu acabei gostando de compartilhar minha experiência com aquelas pessoas, mas  o mais engraçado é que era uma criança falando para um monte de adultos.

Enquanto estava no palco eu tratei de forma séria e responsável, mas quando desci, senti-me muito feliz.  É prazeroso compartilhar nossas experiências e conhecimentos com outras pessoas.

Na volta para casa eu disse para meu pai que queria fazer um aplicativo.  Ele me disse que ajudaria se eu tivesse uma meta SMART (eSpecífica, Mensurável, Alcançável, Realizável e com Tempo definido).

Pois bem, eu lhe disse:  – “Até o fim deste ano eu farei meu primeiro aplicativo”!

Primeiro APP

Apoio

Meu pai me apoiou completamente.  Mas deixou bem claro que iria ajudar; não fazer por mim.

Começamos a pensar o que faríamos.  Depois de muito “Brainstorm” (processo no qual liberamos geral a criatividade e a leseira), lembrei-me da feira de ciências da escola, que chamamos de “Jornada”.

A Jornada é uma feira de ciências que envolve a escola toda.  As turmas são divididas em  grupos com temas, vários alunos e um ou mais professor orientador.  E as apresentações são realizadas nas salas de aula.

Algumas salas de aula recebem vários grupos.

O meu pai sempre tinha dificuldade para encontrar a sala onde estávamos apresentando nossas atividades.  A escola afixa cartazes com a programação,  distribui panfletos e disponibiliza uma pessoa na recepção para orientar, mas não é prático e, para piorar, há alterações de última hora.

Um aplicativo em que a direção pudesse cadastrar as informações das atividades em tempo real seria muito útil.

Permissão da Diretora

Decidido o que faríamos fomos pedir permissão da diretora.  Ela achou muito estranho que uma aluna da escola fizesse uma proposta dessas, mas deu o seu aval.

Ela nos encaminhou para falarmos com a Assessora de Marketing, que nos passaria os detalhes da organização do evento.

Desafiada

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O jeito que a Diretora me tratou, por mais que tenha sido delicada, meiga e cortês, eu fiquei com a impressão de que ela não me disse não por questão de pedagogia ou psicologia e que, no fundo, não acreditava muito que uma aluna da escola fosse capaz, realmente de fazer um aplicativo desses.  Mesmo assim deixou só para não me deixar triste com o seu pensamento.  Acho que tem algo com a “pedagogia”, rs rs rs.  Não dizer para uma pessoa que ela não é capaz… rs rs rs  Acredito que minha impressão tenha sido exagerada, mas é porque em Natal não há fomento nem incentivo para desenvolvimento tecnológico, muito menos para programação.  Tenho certeza de que ela não teve esse pensamento, mas eu fiquei com essa pulga atrás da orelha…

Antes de me desestimular só me fez encarar o aplicativo ainda mais como um desafio.  Já que eu iria mostrar não só para ela, mas também para todas as outras pessoas que ficaram sabendo, já que a história “vazou”…. rs rs rs

Com o aval da Diretora, agendamos uma reunião com a Assessora de Marketing para outro dia, pois ela não encontrava-se na escola.

Foi melhor assim porque pude me preparar melhor.

Reunião de negócios

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Fomos eu e meu pai para a reunião.  Como ele já é experiente em reuniões de negócios, me orientou a como vestir-me e me deu algumas dicas de como me comportar e até como apertar a mão para passar firmeza e segurança.  Ele me fez entender que esta seria uma reunião de negócios e que a escola deveria ser tratada por mim como meu primeiro cliente.

A reunião foi tranquila.  A Assessora passou-me vários materiais que ela tinha, relacionados ao evento do ano anterior.

Mas eu tinha imaginado algo muito mais simples… brrrrr….

Sangue, suor e lágrimas

Meu pai não me deu moleza…

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Ele impôs que o sistema teria que ter várias características, pois já que eu havia decidido embarcar, que fosse com estilo!

A parte client do sistema teria uma versão web e outra mobile, sendo que ambas teriam o mesmo código (eita!).  Assim o sistema seria acessível para quem tem smartphone e quem não tem acessaria via browser.  Facilitaria, também,  para a direção da escola poder cadastrar e alterar, de forma muito mais prática.

Porisso teria que ter um módulo servidor, que foi desenvolvido em Ruby on Rails com banco de dados em Mysql.

Teria que ter controle de usuários, para determinar quem poderia alterar os dados.

E, como nem todos têm acesso à internet o tempo todo, teria que funcionar offline.

Simplesmente, mega simples….

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Felizmente o meu pai ficou responsável pelo Server e eu pelo client.  Ele me passou várias dicas e orientações, mas, por mais que me eu insistisse para ele mexer no meu código, ele só ficou na orientação.

Mas, consegui!

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Entrega

Quando mostrei o aplicativo para a  Diretora da escola, ela ficou super empolgada ( e super hiper mega feliz).  Ela não acreditava que uma criança da sua escola fosse capaz de um feito desses.   Ela chamou a supervisora, coordenadora, assessora de marketing, e todo mundo da “cúpula” para mostrar o app.  Eu me senti nas nuvens. Eles passaram a me olhar e a me tratar diferente.

Até a dona da escola falou comigo!

Júbilo

Quando a gerente de marketing divulgou o aplicativo e o número de downloads começou a subir foi maravilhoso.  A todo instante eu verificava na loja.

É sensacional ver as pessoas usando o aplicativo que eu fiz.  É indescritível (chega a ser melhor que ganhar um presente que você quer muito).

Fico imaginando como deve ser para Zuckerberg, Bill Gates, Steve Jobs e todos os outros, ter milhares de pessoas usando algo que você criou e que está impactando as vidas delas.

E no dia da Feira de ciências, que eu cheguei lá, vi as pessoas usando e algumas baixando na hora.  Foi maravilhoso.

Colocaram até uns cartazes divulgando o app na escola, e muitas pessoas que eu nem conhecia vieram falar comigo sobre ele.  Perguntando como eu consegui fazer, o que elas precisavam para fazer um também, me elogiando ^-^, foi muito legal.

Fiquei sabendo depois que na jornada, os pais que não tinham o app e que chagavam perguntando para a recepcionista onde seus filhos estavam ou sobre alguma palestra, ela rapidamente sacava o aplicativo e indicava a sala onde ocorria a apresentação e ainda mostrava o mapa.

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Primeiro evento

Tinha acabado de chegar em casa, era uma terça-feira e estava na hora do almoço, e teria que almoçar rápido para voltar a escola. Quando recebo uma mensagem; era o Bruno me convidando para ir palestrar na Php Experience’2016 em São Paulo.  Quase caí da escada quando fui mostrar para o meu pai.  Mas, sobrevivi.  Acho que nunca me senti tão empolgada.

Mas na semana seguinte seria de provas na escola.  E meu pai me orientou a focar nos estudos nesta semana e nas provas na semana seguinte.  Na sexta-feira após as provas eu começaria a preparar a palestra.  Teria o final de semana para preparar-me.  A viagem seria na segunda-feira.

Minha irmã Isabelle me ajudou muito para dar tudo certo.

Rapidinho chegou o dia da minha viagem.  Ainda lembro o meu pai dizendo:  “O tempo não espera ninguém”!  Minhas amigas pareciam estar mais ansiosas do que eu…

Passei a viagem TODA revisando a palestra, mas mesmo assim valeu a pena.

Assim que chegamos no hotel, revisamos mais uma vez, e minha amigas não me deixavam em paz, perguntavam a todo momento como estava sendo.

Como dizia Oscar Schmidt:  “Quanto mais treino, mais sorte tenho”.

No dia seguinte acordamos cedo. Tomamos café da manhã e partimos rumo ao evento.  Chegamos lá e pouco tempo depois o professor Isidro chegou e começamos a dar uma última preparada na palestra.

Logo as crianças, em torno de 50, começaram a entrar na sala.  Umas olharam para mim sem entender o que eu fazia ali.

Nesse meio tempo conheci umas pessoas incríveis entre elas o senhor Fung  (Ele simplesmente já andou o mundo quase todo!).

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Após elas se acomodarem eu e o professor Isidro nos apresentamos e contamos um pouco de como iria ser.

Liberamos pro coffee breake, e eu conheci a maioria das crianças.  Tinha uns que faziam coisas que para eles não pareciam muito importantes e legais mas para mim era incrível.

Lembro de um menino que andava com um cubo mágico de um lado para o outro e em um instante o resolvia.  Parecia mesmo mágica!

Um youtuber muito estiloso que andava de um lado para o outro com um caderninho e uma caneta em mãos junto do celular registrando tudo.

E, uma menina que adora kpop, assim como eu, e que sabe falar em coreano e ano que vem vai estudar na coreia.

Esses são algumas das pessoas incríveis que conheci, e todo eles não achavam que aquilo que fazia é incrível ou especial.

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Segundo o CodeOrg, nos próximos 10 anos o mercado de TI terá 1,4 milhão de vagas, mas apenas 400 mil profissionais capacitados – ou seja, um milhão de vagas sobrando. E isso é apenas nos Estados Unidos. Veja neste link: http://www.b9.com.br/37238/opiniao/o-que-a-maioria-das-escolas-nao-ensina-mas-ainda-assim-podemos-e-devemos-aprender-parte-1/

QUEM É O PROFESSOR ISIDRO

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  • PhD Computer Engineering
  • Pesquisador em Game Development, Cloud, Mobile
  • Fundador da TechSchool – Instituto de Tecnologia
  • Curador do palco Desenvolvimento da Campus Party
  • Empreendedor
  • Programador e apaixonado por ensinar programação

Programaê na Php Experience’2016

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Na volta do coffee break <3, nós começamos o evento.

Mostramos a hora do código e começamos a fazer várias atividades.  Chamamos algumas das crianças pra fazer a hora do código lá na frente. Eles pensavam que programar era algo impossível, coisa de super gênio, mas viram na prática que não era.

Usamos o jogo do Angry Birds e do Star Wars, foi muito divertido. Para auxiliá-los nos jogos e facilitar o entendimento, simulamos o jogo ali na frente. E assim conseguimos explicar como funciona;  Eles ficaram boquiabertos ao ver código que fizeram.

Quando começamos a fazer os jogos muitos ficaram com medo de errar e eu entendo esse lado deles.  Todos os dias os nossos pais, a nossa família e até na escola eles não querem que erremos, querem que sempre tiremos notas altas e sejam os melhores, mas eles deveriam entender que  não é bem assim.  Temos dificuldades e, às vezes, medo de errar.

  • “Isso é só desculpa para tirar uma nota baixa!”
  • “Você não tem motivo nenhum para tirar notas baixas!”

Mas temos sim.  Não somos bons em tudo e às vezes essa pressão em ser o melhor e nunca errar pesa na consciência, como no caso daqueles que estavam assistindo a palestra. Eu passo por isso; porque eles não passariam? Mas o que eu queria também era mostrar para eles que errar faz parte e que se você errar pode tentar de novo e de novo até acertar.

Houve 3 meninos que erraram na primeira tentativa, mas acho que consegui mostrar para eles e para os outros que podemos tentar de novo, e assim eles acertaram na segunda tentativa.

A Hora do Código é uma iniciativa da Code.org que quer desmistificar a programação e mostrar a alunos, professores e pais como este universo pode ser divertido!

A cada ano, essa corrente atinge milhões de pessoas no mundo todo.

Fatec

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Após acabar a palestra, fiquei sabendo que o Professor Isidro iria fazer outras duas palestras na Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), e eu, é claro, colei nele e fui assisti-las.

Antes de começar ele me disse que gostaria que eu subisse no palco, no final da palestra para contar um pouco para os estudantes como era a programação para mim. Fiquei surpresa e um pouco impressionada ao saber que dos que assistiram à primeira palestra só DOIS já tinham feito algo.

O público da primeira palestra era um mais recente na faculdade, e alguns não sabiam direito nem o que estavam fazendo lá. O que mais me surpreendeu e me deixou feliz foi ver que tinham professoras lá.  Uma delas é a Ana Cláudia.  Uma professora que é um amor de pessoa e que eu ADORARIA ter aulas com ela.  As experiências dela são incríveis e naquele pouco tempo, acho que sem ela mesmo perceber, me ensinou muito do que vou encontrar no futuro nessa área.

Quando os alunos começaram a chegar me olharam estranho, tipo “O que essa menina de orelhinhas está fazendo aqui?” Teve até um grupinho que ficou olhando para mim e eu achei eles super fofos *-*.

Quando o Professor Isidro me chamou ao palco, eu fiquei um pouco apreensiva, pois não tinha me preparado para esse público.  Mas, aquele grupinho super fofo mesmo sem perceber me passou confiança, e foi estranho saber que muitos nunca fizeram nada para ultrapassar as barreiras da faculdade, limitando-se apenas às atividades propostas pelos professores.

Tinham pouquíssimas meninas, e eu as entendo.  Às vezes é desconfortável estar em um lugar em que você é a única menina.  Eles não dão muito crédito, acham que eu estou lá só para acompanhar meu pai quando na maioria das vezes é ele que está me acompanhando.  Chega até a ser engraçado.

Mas às vezes eles acham sensacional que uma menina ainda na minha idade já queira ser programadora e faça sites e aplicativos e mais uma vez ele compartilham seus sagrados conhecimentos que faço questão de prestar o máximo de atenção e sugar o máximo que posso.

Depois da primeira palestra nós fomos lanchar com a professora Ana e, como sempre, ela foi um amor de pessoa.  Ela, o professor Isidro, sua esposa a linda Luana e meu pai começaram a compartilhar os seus conhecimentos, quando, de repente, um moço chegou falando que o pessoal tinha adorado a minha participação e mostrou os comentários nas redes sociais.  Eu, lógico, fiquei muito feliz.

O segundo público já estava quase terminando a faculdade e tinha a mesma coisa do outro público, não chegava nem a umas 4 pessoas que já tinham feito algo sem ser para a faculdade. A diferença é que tinha mais mulheres que na primeira.

Tinha um dos alunos que já trabalhava como freelancer no ramo, e provou para os colegas dele que a programação é a única área em que mesmo sem um diploma, sem sair de casa e sem ter visto pessoalmente seu cliente, consegue ganhar dinheiro.  O seu escritório é o seu notebook.

Conheci até um Pós Doutor.  Não um simples “Pós Doutor”;  ele tem vários Pós doutorados.   Veja que para ter um título desses é necessário fazer a graduação, mestrado e doutorado.  Só depois é que pode tornar-se Pós Doutor.  São poucos os que temos no Brasil.  Infelizmente não me lembro do nome dele.  Nunca imaginei que um homem daqueles iria falar comigo, mas, além de muito simpático ele é muito humilde, também.  Verdadeiramente é um exemplo a ser seguido.  Ele também me indicou várias faculdades que eu posso tentar entrar.

Conclusão

Aprender a programar não é nenhum bicho de 7 cabeças.  Você só precisa querer e contando com o apoio e incentivo do Programaê é muito mais fácil!

Com a programação você pode fazer o que quiser.  Sua imaginação e criatividade não tem limites. Porque em vez de jogar, não criar um jogo?

Acho tão louco as outras profissões e até no dia a dia, competir para ser muito melhor que o outro. Um pouco de competição é legal mas às vezes a coisa fica feia, por exemplo, quando alguém é muito bom em alguma coisa e não ensina nada para outro com medo de que ele “tome” o seu lugar.

No ramo da programação é bem diferente.  Os programadores mesmo sem se conhecerem, procuram ajudar e compartilhar o que sabem.  Isso é INCRÍVEL.

Na PHP Experience e na Fatec eu presenciei isso mais várias vezes, e é muito legal ver que todos amam compartilhar conhecimentos. E o melhor ainda é ver o quanto se esforçaram para isso, o quanto eles miram alto.

Como uma frase que minha irmã, Isabelle, me diz muito:

“Mire a lua, e se não acertá-la, aterrissará entre as estrelas”- P.S Eu Te Amo

Autor: Emmanuelle Richard

Desenvolvi meu primeiro aplicativo aos 12 anos e desde então minha vida mudou. Já palestrei em diversos eventos como a Campus Party, Flisol, PhP Experience e outros, mostrando a todos que programar é divertido além de ser uma atividade fascinante, e, graças à programação, tenho conhecido muitas pessoas inspiradoras fascinando-me cada vez mais com este novo mundo que surgiu à minha frente. Contato: Email: emmanuellerichard@onbit.com.br Telefone: 84 9 86229868/ 84 9 88296900